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Volto do exílio preventivo, para participar num movimento social cada vez mais massivo

Volto do exílio preventivo, para participar num movimento social cada vez mais massivo

Carta de Enric Duran, quem a 17 Setembro, anunciou a expropriação de 492.000 euros a 39 entidades bancárias para destiná-los a alternativas de sociedade e abandonou o país.

Desde algum lugar deste pequeno planeta, e a medida que recebia notícias do que sucedia a partir do 17 Setembro, o meu ponto de vista sobre o período que haveria que passar fora do país ia mudando rapidamente. Se ao começo havia-me despedido pensando que ao menos estaria um ano fora, pois este era o tempo que julguei necessário para preparar um hipotético retorno a casa onde me esperaria um julgamento seguro, cedo dei-me conta que isto não estava tão claro.

Entretanto o impacto do 17-S fazia-me pensar que haveriam muitas possibilidades de que o apoio fosse demasiado grande como para que pudessem chegar a encarcerar-me, o estalido total da crise desde meados de Setembro motivava-me dedicar todas as minhas energias para aproveitar o momento. Tomou forma o pensamento que o motivo para tornar se calhar não seria já o hipotético julgamento, que não era tão seguro que se celebrasse, senão as ganas de participar e aproveitar a oportunidade de mudança social que nos brinda a crise e que tinha sido a origem da minha acção de expropriação.

Depois desta reflexão e mudança de planos, no comunicado que escrevi em 17 Outubro já dizia:

“Pela minha parte, ante a falta de denúncias e para poder estar activo nas mobilizações sociais nesta conjuntura histórica na que nos encontramos, cedo sairei da clandestinidade e voltarei à actividade pública.” Depois daquele comunicado, os Mossos d’Esquadra afirmaram que “um total de 18 entidades financeiras têm apresentado denuncias por atrasos nos pagos dos créditos concedidos ao activista Enric Duran” […]
Mas se eu tinha dito que sedo voltaria à actividade pública é porque pensava faze-lo, com ou sem denuncias. Em realidade, os acontecimentos tinham-me obrigado a mudar os meus planos às poucas semanas de estar no estrangeiro. Apesar de tudo não podia precipitar-me, porque se regressava demasiado cedo não teríamos tempo de prepara-lo. Assim pois, bem pronto ressoou na minha cabeça a data do 17 de Março, seis meses depois do 17-S, como o momento mais adequado para a volta pública a terras catalãs para montar um novo dia D, este o 17-M.
Meses depois, na data actual, o Julgado de Instrução nº 29 de Barcelona só recebeu quatro denuncias penais em minha contra, que me têm feito as seguintes entidades: La Caixa, Bancaja, Caixa Sabadell e Bankpime. A actuação do juiz frente a este sumário tem sido o arquivo provisional do caso. A causa de este arquivo não tem transcendido. Para reabrir o caso faria falta que alguma destas entidades que me acusam ou o fiscal do Estado o reclamassem. Não temos informação do resto das 18 denúncias penais que os Mossos d’Esquadra declararam frente à prensa o passado 17 de Outubro, mas em qualquer caso, segundo o meu advogado, é provável que se chegam mais, sejam remetidas ao mesmo juiz e arquivadas nas mesmas condições.
Por que voltei?
Agora que regressei põe-se me a dúvida de se reabrirão ou não o caso. Não me importa. Que fique claro que não regressei para enfrentar-me a um julgamento nem para refugiá-lo. Que se querem ou não julgar-me não é importante. O que é importante é que está em jogo o nosso futuro. Se estou aqui é porque penso que é no entorno que conheço onde posso ser mais útil para a acção colectiva. É aqui onde tenho mais e melhores relações.
Que quede claro que, por muito espectacular que fosse aquela acção, não é a título individual que resulto útil para a mudança, senão como parte de um movimento social cada vez mais massivo. Por muito que os meios de comunicação oficiais fiquem com a anedota pessoal e me ponham motes como o de ‘Robin dos Bancos’ (que simplificam a realidade, frequentemente e expressamente), não é a expropriação de bancos em si o que faz que seja respeitado, senão os muitos anos de activismo e trabalho sério compartido com muitíssimas pessoas, como as que te têm feito chegar esta publicação que tens nas mãos, a qual é importante por todo seu conteúdo e não por o que se diga nesta página 9.
Remordimentos? Nenhum. Considero que os meios utilizados têm sido totalmente coerentes com os fins que perseguia, que não são outros que abrir caminho para abolir o sistema actual e pôr em marcha alternativas viáveis. Penso que ficou demonstrado que tenho actuado pelo sentimento de uma situação de necessidade. Necessidade da sociedade e as futuras gerações. Também tenho actuado pelo cumprimento de um dever, o dever de fazer o que este ao meu alcance como activista social e como pessoa para sensibilizar sob os aspectos mais críticos do nosso presente. Reitero o meu compromisso na desobediência à banca e ao resto de poderes dominantes na nossa sociedade, que movidos quem sabe por que ambições ou por que falta de auto-estima, seguem insistindo em levar-nos a todos pelo caminho da catástrofe ecológica, assim como pela via da precariedade vital, a solidão e a competência nas relações sociais.
É o momento de alçarmos para cumprir com o nosso dever como pessoas e gritar que desobedecer à banca, aos governos e a tudo o que pretenda obrigar-nos a continuar com este sistema económico destrutor de vidas e futuros, não é uma utopia, senão uma clara mostra de sentido comum e boa vontade. Digam o que digam juízes, políticos e banqueiros, a natureza e a grande maioria da humanidade estão do nosso lado. Se realmente queremos ser livres, temos que ser participes da mudança. Temos que conseguir vencer o medo, ser actores vivos e dispostos das nossas vidas, e ser nós mesmos a mudança que queremos ver no mundo. JUNTÁNDONOS PODEMOS!!!
insumiso@sincapitalismo.net

A insolvência é uma forma de imunidade às multas

Dado que os incumprimentos do código civil estão penados com multas económicas, quem se organiza para que não lhe possam embargar passa a ser uma pessoa imune ao código civil, por exemplo, às leis cívicas de carácter municipal, já que se lhe multam não pode pagar. É uma pessoa blindada, que pode ir em metro sem pagar, que pode por cartazes sem medo, que pode dar o seu nome para convocar uma manifestação. Para as pessoas que queremos mudar o sistema, a morosidade organizada pode ser uma ferramenta de luta muito importante.

10 dias na prisão por insubmisso à especulação e às penas-multa

E não é só uma ferramenta civil. No âmbito penal, cada vez mais se tenta reprimir os movimentos sociais com penas-multa, que são formas de condena de delitos de carácter leve. Neste caso, a insolvência activa também é uma resposta adequada.

Com a insolvência só nos podem chegar a penar se nos privam de liberdade, mas se somos um movimento forte não lhes resultará nada fácil. Nesta linha, um activista em defesa de Collserola que se tem declarado insubmisso a uma pena-multa imposta como resultado de uma acção contra o projecto urbanístico Plan Caufec em Esplugues de Llobregat, deverá ingressar na prisão durante 10 dias.

Mais informação:
Campanha contra o Plano Caufec www.noalplacaufec.net
Campanha de insubmissão às penas-multa http://alespenespunyalades.blogspot.com/

FAZ-TE INSUBMISA
Se quiseres liberar-te do sistema, pede créditos e não os devolvas!

Cansada de trabalhar 40 horas à semana? Chateado pelas quotas da hipoteca? Estás segura de que o capitalismo está feito para ti? Se te decides a abandonar a ilusão da propriedade privada, se quiseres recuperar o prazer por compartir, se quiseres construir um projecto de autogestão colectiva e te falta dinheiro para comprar as terras, se quiseres financiar uma próxima publicação como esta… faz-te insubmisso à banca.
Uma pessoa especializada propõe-te um produto de divida impaga à tua medida. Engordarás a crescente lista de milhões de morosos bancários. Se quiseres, a discrição esta assegurada. Uma vez insolvente acabaram-se os problemas e poderás compartir a alegria de viver fora do sistema.
* Só indicado para pessoas que ainda não estejam em registos de morosos.
17 de marzo de 2009 · ¡Podemos vivir sin capitalismo! .9

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