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Mentides!

Mentiras!
As que têm reproduzido os grandes meios e não as temos engolido!

René Debordieu, Redacció

* Zapatero assegurou que falar de crise era “puro catastrofismo” e que “em 2008 cresceremos claramente menos que em 2007, mas em 2009 já existirão os fundamentos para voltar a crescer acima do 2008”. (El Economista, 14/01/2008).
Mas estamos no meio de uma profunda recessão económica que está a fazer história. O produto interior bruto (PIB) cresceu no 2007 um 3,7%, mas as estimativas de crescimento do PIB, em vez de crescer acima do 2008, têm descido sucessivamente até uma contracção do 1,6%. Desde 2008, o Ibex-35 tem ficado quase 7.000 pontos no parqué da bolsa (quase a metade do seu valor). Vários organismos a nível mundial já estão a reconhecer que esta crise é muito superior à de 1929; isso significa que estamos a viver uma crise sem comparação na história do capitalismo.
* O Governo diz que tem descido o preço da habitação, chegando a “um equilibro desejado e esperado depois de um largo período em que os preços não estavam ajustados aos preços reais”.
(A. Romero, Directora Geral de Arquitectura e Política de Habitação, El País 15/01/09).
Mas mesmo que o preço da compra e venda de habitação tenha descido um pouco, de nenhuma maneira é o “equilibro desejado e esperado” pela maioria da gente, e todavia custa os olhos da cara. Ademais, há que dizer que muita gente vive hoje do aluguer, e as rendas não descem, pelo contrário: crescem mais e mais (este ano subiram 4,3 ao Estado espanhol), fixando preços injustos e insuportáveis que violam o direito constitucional a uma habitação digna.
* O Governo tem posto em marcha o seu Plano E, “Plano de Estímulo da Economia e do Emprego”, investindo 11.000 milhões de euros públicos para financiar obras públicas e para ressuscitar a industria automóvel. (Fonte: Plano E). Mas estes 11.000 milhões de todos e todas vão parar em última instancia às mãos de grandes empresas multinacionais que, olhando só pelo seu próprio benefício, não duvidam em despedir gente ou apresentar Expedientes de Regulação do Emprego (EROs). O que tampouco nos dizem é que continuam a apostar num modelo de desenvolvimento e transporte que já não é viável, pelos limites naturais do planeta.

* O Governo tem concedido avales aos bancos por valor de 100.000 milhões de euros para “resgatar o sistema financeiro” e assim “reforçar a actividade económica”. (El Mundo, 13/10/2008).
Mas não é lógico querer resgatar um sistema financeiro que tem falhado, e se tem demonstrado injusto e feito à medida dos excessos especulativos dos mais ricos e dos bancos. É este sistema financeiro o que nos tem conduzido á Crise Total e urgem mudanças e alternativas económicas reais, aqui e agora.

* O Secretario de Estado de Economia, David Vegara, disse que “a inflação poderia continuar a descer até taxas negativas, mas o Governo não espera uma deflação”, depois de conhecer em Janeiro o IPC mais baixo em quase 40 anos (El Economista, 13/02/2009). Cabe perguntar-se que entende o secretário de economia pelo término “deflação”, que geralmente se define como “uma diminuição generalizada e continuada do nível geral de preços da economia” (Rafael Pampillón) e que é o pesadelo de qualquer sistema económico, pois gera mais e mais desemprego, a causa do abrandamento do consumo.

* No juízo de Zapatero, “a solvência das famílias espanholas e das empresas […] garante a situação financeira da nossa economia” (ABC, 07/09/2007). Magnífica solvência a nossa, que tem disparado a taxa de morosidade nos bancos até quotas insuspeitadas. Caixa Catalunya já reconhece um 5,28% de morosidade, a mais alta em Espanha até o momento. A consultora Oliver Wyman prevê até um 8% de morosidade em bancos e caixas espanholas para finais de 2009 (Europa Press, 11/02/2009). O Banco Central de Espanha, pela sua parte, eleva a previsão ao 9%. Façam suas apostas, senhores.
mentiras@sincapitalismo.net

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