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Da educação submissa à aprendizagem em liberdade

Da educação submissa à aprendizagem em liberdade

Blai Dalmau
A função do sistema de ensino é o ensino do sistema. Assim, na escola aprende-se primordialmente a obedecer à autoridade do professor – que depois se convertera na autoridade da corporação do chefe –, a competir com os companheiros de turma – que posteriormente serão companheiros de trabalho –, a fazer as coisas com o objectivo de conseguir pontuações e títulos – que depois serão dinheiro – e não pela simples satisfação de faze-las, a executar deveres impostos, a esquecer e reprimir os nossos desejos, a não questionar o que se nos diz e ordena, etc. Pouco a pouco inculcam-nos uma serie de costumes e crenças que, chegado o momento, servirão para que nos adaptemos ao sistema, dócil e resignadamente.
Claro está que existem grandes profissionais e bons alunos nas nossas aulas. Mas, desgraçadamente, têm que acatar uns imperativos (exames, assistência obrigatória, etc.) que inspiram desunião, frustração e submissão. Os marcos educativos vigentes, como o resto do sistema, não estão desenhados com o objectivo de promover a felicidade humana, senão com o objectivo lucrativo e expansionista da economia de mercado. A reacção natural de muitos adolescentes ante esta situação é uma rebelião negativa, apática ou incluso agressiva, e assim, não é estranho que as baixas e depressões sejam cada vez mais frequente entre o colectivo de educadores.
Por outra parte, o processo de privatização e mercantilização das últimas décadas em todos os âmbitos, não tem esquecido o âmbito da educação. As elites dominantes da Europa têm decidido que a concepção de universidade como um serviço público ao alcance de todo o mundo não servia aos seus interesses, e, por isso, teria que converter a universidade numa instituição do mercado e para o mercado, não das pessoas e para as pessoas. O resultado é o chamado processo de Bolonha, que cada vez recebe maior oposição por parte de alunos e professores.
Assim, não é surpreendente que posamos falar de crises da educação, e que esta crise seja cada dia mais patente. Assim como esta sociedade possui um alto grau de conhecimento ecológico mas é incapaz de travar a destruição do meio natural, igualmente esta sociedade possui grandes conhecimentos e potencialidades pedagógicas mas é incapaz de travar o deterioro das instituições educativas.
O primeiro passo para sair deste beco sem saída é que pequenos e grandes nos deseducamos dos valores que este sistema nos tem inoculado. Para faze-lo, precisamos potenciar as nossas capacidades de reflexão e aprendizagem independente e criar instituições educativas alternativas que substituam a imposição pela autonomia, e a competência pela cooperação. A actual negação das reformas neoliberais tem que conduzir, tarde ou cedo, ao desenvolvimento duma visão positiva que gere novas escolas livres e universidades autogestionárias. É aqui onde todos e todas temos um grande futuro por explorar.
Postos a explorar, temos que o fazer desde a origem. E é que já nos níveis mais primários da criança, a maioria de bebés e meninos vêm-se muito cedo separados do que lhes é natural, como a lactância materna e o dormir acompanhados. Se lhes corta o seu desenvolvimento emocional de raiz e assim, quando cresçam, se lhes impedirá aprender brincando para modela-los como peças adequadas da engrenagem materialista, como já se tem explicado.
Afortunadamente, existem alternativas nos diversos períodos da educação. Desde a autogestão, a responsabilidade compartida e a implicação quotidiana, múltiplos espaços de criança natural e educação livre estão nascendo para oferecer um espaço e acompanhamento adulto que respeite os processos evolutivos da criança, respondendo às suas necessidades até ao desenvolvimento duma autonomia individual e de uns valores sociais reais que não só se explicam, senão que se aplicam. Faz falta que se criem mais alternativas deste tipo, e não tão só para liberar os primeiros anos de vida, senão para construir trajectórias vitais livres da pressão utilitarista dos benefícios empresariais. Há que criar um caminho curricular que possa conectar a aprendizagem como meninos com a aprendizagem como adultos.
O contexto de crise, com um sistema produtivo que se afunda, faz obsoletas muitas profissões baseadas no crescimento, que todavia se ensinam nas universidades e nos chama a reconsiderar que aprendizagens podem ser importantes para o nosso futuro, e como se podem levar a cabo. Recuperar a capacidade para auto-gestionar as nossas formas de vida implica recuperar muitas aprendizagens práticas que não se ensinam na educação oficial e que serão fundamentais para poder viver bem a partir de agora.
Por isso, será importante recuperar os conhecimentos da gente maior, que faz só uma ou duas gerações sabiam viver de maneira muito mais auto-suficiente de como o fazemos agora.
Recuperemos a capacidade de aprender e ensinar para desfrutar a vida directamente, sem complicações desnecessárias, estimulando as nossas potencialidades naturais.
Deixemos de ser prisioneiros do nosso próprio egoísmo, de sentir-nos inseguros e sós. Intentemos desenvolver o sentido de responsabilidade até aos nossos congéneres em lugar de glorificar o poder e o materialismo. Alunos e professores, podemos deixar de compartir as aulas por laços de obrigação e começar a compartir o feito educativo pelo gozo de aprender e ensinar.
educacion@sincapitalismo.net

// O actual sistema educativo está desenhado para fazer-nos uma peça adequada da engrenagem da economia capitalista. //

A alfabetização necessária

Josep Cardona Cuesta
A educação oficial também cria submissão à base de impedir a educação emocional, mutilando a aprendizagem das outras linguagens essenciais, a parte do oral e o escrito. A evolução cultural tem-nos permitido desenvolver 5 linguagens: as naturais, que temos desenvolvido através dos sentidos físicos (ouvido, tacto e vista), musical, gestual e visual, além das propriamente culturais, oral e escrita. Ao marginar estas 3 linguagens, os meninos e meninas e, em geral, a maioria de humanos, vemo-nos privados de uns fundamentos educativos que nos permitam um desenvolvimento integral. Para consegui-los temos que Alfabetizar-nos nas linguagens associadas aos sentidos físicos que, precisamente, nos ajudariam na aprendizagem posterior, assim como a ser criativos no resto de matérias necessárias e em qualquer campo no que depois trabalhemos.
Toda pessoa é artista em potência, sem duvida, as linguagens necessárias para sê-lo, ao conhece-lo só as pessoas especializadas, são um conhecimento oculto para a grande maioria que, à causa desta falta de informação, sofre dominação. O analfabetismo generalizado impossibilita a auto-realização humana e cria submissão.
Um povo educado nas 5 linguagens humanas será um povo livre, criativo e preparado para auto-gestionar as necessidades humanas e resolvê-las eficaz e harmoniosamente.
Manual de iniciação à linguagem visual para facilitar a auto aprendizagem: www.17-s.info/es/manualvisual

Para passar à acção!

* Se são pais e mães de bebés e crianças, informem-se sobre a criança natural. Podem encontrar grupos perto de vocês ou contactar com outras famílias na mesma situação com quem construir um projecto de criança em comum. “Criança natural” é a pesquisa de referência na Internet.
* Se as vossas crianças já são granditas, podem-se informar de que projectos há de educação livre perto de casa ou encontrar outras famílias na mesma situação com quem construir um projecto em comum. “Educação livre” é a pesquisa de referência na Internet.
* Se és um jovem adolescente, podes-te organizar com teus companheiros e companheiras para aprender coisas que vos interessem a vocês e não ao mercado.
* Se estudas na universidade, animamos-te a questionar se o que te oferecem é o que realmente querias aprender e como querias. Se chegas à conclusão que não, podes-te juntar com outros companheiros das distintas faculdades que compartam uma opinião similar e dedicar-vos a por em marcha outra universidade pública desde a autogestão. Se objectais pagar a matrícula da universidade e dedicais o dinheiro e esforços a esta ideia, o futuro será o que vocês queiram.
* Se são mães e pais de estudantes do instituto e universitários, animamos-vos a por em dúvida os princípios do que se o melhor para os vossos filhos é fazer uma carreira universitária, e anima-los na sua livre eleição ante a falta de um futuro de estudos convencionais.
* Se és educadora, atreve-te a actuar segundo a tua consciência e não segundo o caminho que te marcam. Se te juntas com outros poderás faze-lo possível.

ENLACES

Portal de informação e debate sobre criança natural http://www.crianzanatural.com
Associação que defende a educação em casa http://www.educacionlibre.org
Informação do movimento estudantil em todo o estado http://www.movimiento.noabolonia.org

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