Crisi informativa dels grans mitjans de comunicació
Crise informativa dos grandes meios de comunicação
A actual situação de crise deixa bem à vista a crise dos meios informativos hegemónicos e faz necessárias outras formas críticas de informar e comunicar.
René Debordieu, Kike Kayuco
Os grandes meios informativos têm-se centrado em comunicar massivamente os anúncios oficiais das medidas do Governo de Zapatero frente à crise. Sem embargo, estas medidas têm-se demonstrado insuficientes e o mal-estar social aumenta cada dia que passa, fazendo urgentes outras iniciativas e alternativas para sair da crise. Ainda assim, os grandes meios insistem em informar-nos totalitariamente do “Diário Oficial do Governo frente à Crise”.
O resultado de esta ordem informativa é a construção de um consenso jornalístico dependente de uma actualidade fixada pelas acções protagonizadas pelos políticos (com o dueto PSOE-PP como actores principais), show mediático que satura e por sua vez, limita e manipula a opinião pública. As consequências de estas práticas jornalísticas são gravíssimas e mostra claramente a crise dos grandes meios informativos e do sistema comunicativo dominante. Em vez de questionar a gestão do Governo e de ajudar à compreensão de como e por que se tem produzido a crise, assinalando responsáveis e possíveis mudanças e alternativas ao sistema, os meios representam uma normalidade anódina, como se não passasse nada excepcionalmente grave, no que é a última grande manipulação informativa de uma industria jornalística, que tende a reproduzir e conservar este sistema em crise. A crise informativa dos grandes meios pode-se demonstrar de diferentes maneiras; por exemplo, perguntando aos responsáveis destes meios por que marginalizaram os que, com indícios fiáveis, faz tempo que prognosticavam a chegada da crise. Como seguir tolerando uma indústria informativa que não nos alerta nem nos informa de como, em realidade, estão indo as coisas? Por que não há nem um resquício de autocrítica colectiva por “não haver informação” de que, certamente, estava tudo fatal? Por que se silenciaram as denuncias persistentes que alertavam das corrupções políticas e dos excessos especulativos, que enchiam a borbulha imobiliária até limites insuportáveis? E, claro, finalmente, estalou a borbulha; e com ela, boa parte do que lhes restava de credibilidade aos grandes meios. Deve-se ter em conta que os direitos a comunicar e receber “informação verídica” e de “aceso aos meios públicos” são pressupostos fundamentais para um suposto estado de democracia, que nestas condições não podemos acreditar. Fica muito claro que estes direitos são, sistematicamente violados e adulterados, para o domínio do mercado pelos grandes grupos empresariais e pelas decisões dos governantes.
Outro sintoma da crise dos meios hegemónicos é a simplificação que se fez da crise; normalmente, reduzida somente a “crise financeira”. Não obstante, tendo em conta todos os problemas e as injustiças que gera o sistema capitalista nos diferentes âmbitos da vida, poderia ser mais adequado falar, directamente, da crise total do sistema. Mas o Governo, em vez de impulsionar mudanças e alternativas reais a esta situação de crise está a servir-se do dinheiro público de todos e todas para ajudar aos bancos a tomar as “medidas paliativas” necessárias para que todo continue igual (de mal) como sempre... Urge informar que todo o sistema está endividado, em mãos de banqueiros, e o Governo e os grandes investidores capitalistas precisam dos jogos especulativos bancários para “reactivar a economia”.
Evidentemente, os grandes meios de comunicação, tanto públicos como privados, também dependem dos bancos e estão ligados às engrenagens do sistema, situação que faz com que se reproduza diariamente esta crise informativa insuportável.



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