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Greve de clientes de bancos. Se nos unirmos não nos poderão parar.

Greve de clientes de bancos.
Se nos unirmos não nos poderão parar.

Colectivo Crisis
Coisas muito graves têm passado a volta da crise financeira internacional desde que a publicação CRISIS viu a luz. O titular da revista do 17-S:” Achas que os bancos te roubam?” foi respondido sem meias tintas com as ajudas de mais de 2 bilhões de euros que EEUU e os países da EU têm garantido à banca privada, com dinheiro que é dos cidadãos.
Já não eram só os banqueiros, mas também se demonstrou que políticos e banqueiros estão unidos para espoliar a riqueza do povo. Banqueiros financiam políticos, políticos financiam banqueiros. Em qualquer parte do mundo, as políticas de “socialismo para os ricos e capitalismo para os pobres” levam-se a término de maneira cada vez mais evidente; os bancos importantes ameaçados de falência, são resgatados com dinheiro público. Enquanto que a maioria dos principais inversores e executivos do sector financeiro têm visto engordar o seu património pessoal com lucros milhares de vezes superior ao das pessoas trabalhadoras.
Assim, se faz todo o possível por salvar as inversões dos mais ricos e entretanto, milhões de pessoas em qualquer parte do mundo estão a perder suas casas ou estão escravizadas ao trabalho devido a dívidas muito duras de pagar, e há 2900 milhões de pessoas que nem sequer têm dívidas, porque apenas vivem com menos de 2 dólares ao dia. Assim, os estados, têm demonstrado de que lado estão, pois deixam que o povo o perca todo, para que ganhe a banca.
Em Novembro, começou a campanha. Este panorama não se podia aceitar e diante disto nos devíamos colocar, é necessário dizer basta e actuar.
A publicação do 17 de Setembro (2008) continha já umas propostas concretas que eram premonitórias do que aconteceu na esfera internacional a partir de então. A primeira acção que pusemos em marcha foi a Campanha pela greve de clientes //usuários e usuárias de bancos que começou já oficialmente este 12 de Novembro, abrindo as pre-inscrições e difundindo-as através da Internet.
Nos primeiros dias de campanha inscreveu-se muita gente que vai visitando nossa Web. Havia muitos perfis diferentes: activistas, solidários, pessoas muito endividadas que estam muito tempo na lista de faltosos, etc.
Quatro meses depois de por em marcha a campanha, estamos a chegar às 350 pessoas pre-inscritas. Muitas estão em Catalunya. Também há bastantes inscritos no País Valenciano, Madrid, Andalucía, Euskalherria, Galiza, Islas Baleares. Em alguns lugares já tem havido encontros e contactos prévios à redacção deste texto.
De inicio não marcamos um dia concreto para levantar o dinheiro do banco, não queríamos que a proposta se visse como uma acção espontânea sem um futuro claro. Queríamos prepara-la bem e que pouco a pouco se pudesse ir sentindo confiança no desenvolvimento do processo, de maneira que propusemos um mecanismo de participação consistente para que no momento em que chegarmos a ser 1000 num determinado território, a greve seja efectiva.

Sabemos que muita gente tem medo do que se possa passar se os bancos entrarem em falência, é um medo que o sistema dominante soube por muito bem nos nossos corpos e nossas mentes. Por isto não marcamos um dia demasiado próximo para retirar tudo o dinheiro dos bancos. E desde o princípio também sabíamos que temos muito trabalho de antemão para demonstrar com propostas muito claras e experiencias piloto, que podemos viver muito melhor sem bancos e não num futuro sistema hipotético senão agora e aqui, organizando-nos em bairros, em aldeias ou nas nossas comunidades.

Por isto no texto de metodologia da campanha escrevemos o seguinte:

“Dado que as pessoas participantes, especialmente as que deixam de pagar dívidas e têm vivendas embargáveis, assumem um risco pessoal, a maneira que teremos como colectivo de grevistas para superar este risco é a solidariedade e o apoio mútuo. A todo o mundo que se disponha a participar se lhe pede que possa ser solidário. Assim pois, entre todas as participantes criaremos uma rede de apoio interpessoal para assegurar que a ninguém falte tecto nem um prato na mesa. Mas além disto a própria greve pretende incentivar o início da marcha das alternativas de sociedade. Demonstrar que se pode viver bem, e de facto melhor, sem bancos, será um dos objectivos principais da campanha. Deste modo retirar o dinheiro do banco se convertera num passo para reforçar as alternativas, com a possibilidade de inverter dinheiro nestas e deixar de pagar as dívidas, poderá ser uma maneira de implicar-se em soluções comunitárias para ter cobertas as necessidades básicas.”

A Greve de bancos tem-se ido concretizando em propostas

Tanto a forma de participar na greve como a rede genérica de apoio mútuo, tem-se ido concretizando com os meses em várias propostas que têm o seu espaço nestas páginas.
*Quem tem poupanças e contas correntes na banca convencional pode fechá-las e utilizar opções éticas ou cooperativas (informação na página 12)
* Quem tem dívidas pode deixar de as pagar (informação na página 8). E se é a hipoteca o que se pode deixar de pagar, atenção à página 13.
* Quem não tem dívidas mas está convencida de colaborar pode pedir empréstimos para não devolve-los, e dedicar este dinheiro a promover as alternativas de vida, começando por ela mesma (informação na página 9)
* As pessoas que já são morosas, de alguma maneira já são parte da greve e podem aderir ao colectivo.
* Quem decida manter a sua conta corrente num banco convencional, pelas razões que seja, pode pôr só o dinheiro mínimo para as operações que precise, e colaborar reclamando no banco de Espanha todos os abusos que se cometam com as suas contas.

Mas a greve é uma acção sobre tudo para construir alternativas, para que seja possível viver sem bancos, e por isso não ficamos satisfeitos com ir um dia e sacar todo o dinheiro do banco ou com semear o medo para que todo o mundo o faça. Somos conscientes de que muita gente não se apontará à alternativa até que esta seja sólida e seja mais viável viver sem bancos. Por isto, a greve está vinculada a toda uma serie de propostas que explicamos nas páginas seguintes e que estamos convencidas de que o farão possível:
* As cooperativas de banca ética (página 12)
* As cooperativas de vivenda de cessão de uso (página 13)
* As cooperativas integrais (página 14)

E ainda, finalmente temos decidido convoca-la como parte da acção massiva que se explica nas páginas 10 e 11 de forma que será uma das maneiras de participar numa proposta global de vida depois do capitalismo.

Que poder pode ter um registo de morosos se somos todas? Que força terão os seus embargos se nos afectam a milhões? Com que especularão se sacamos o dinheiro do banco? Se todas as pessoas conscienciosas e morosas nos juntamos e nos damos apoio uns aos outros, não nos poderão deter. Saca o dinheiro do banco, que não especulem com as nossas poupanças. Não pagues a tua hipoteca e fica a viver em casa, não pagues os teus créditos pessoais. Participa na greve de bancos!
http://www.17-s.info/es/gruposporbancos

Estas bichas para retirar dinheiro podem-se repetir cada vez mais.

Organizemos grupos de pressão banco por banco
Façamos grupos de pressão banco por banco. A partir de agora organizaremos aos devedores também por entidades bancárias e financeiras, para aumentar a capacidade de pressão ou acção coordenada.
Entretanto organizamo-nos por territórios, o que é muito importante sobre tudo para a construção de alternativas e para um apoio mútuo mais local. Também as pessoas com dívidas que tenham dificuldades ou não possam pagar, podemo-nos organizar por entidades bancárias, especialmente as maiores e de carácter estatal (e internacional?). E isso poderia dar mais força de pressão à gente organizada. Os graves problemas de liquidez que tesouram as entidades pode redundar em benefício da capacidade de pressão daquelas pessoas que sabem organizar-se.

Para participar, consultem o endereço: http://www.17-s.info/grupsperbancs

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